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TV Boxes comprometidas simulam celulares para fraudar anúncios online

Dispositivos infectados alteram identidade de hardware, geram cliques falsos e transformam conexões residenciais em infraestrutura para crimes digitais

Pesquisadores da Bitsight identificaram uma sofisticada operação de fraude publicitária que utiliza TV Boxes Android comprometidas para simular smartphones populares e gerar receitas ilegais com anúncios online. Batizada de Operação Fuyao, a campanha modifica a identidade dos dispositivos para que eles sejam reconhecidos como celulares de fabricantes como Samsung, Xiaomi, Huawei e Vivo, aumentando o valor dos cliques fraudulentos em campanhas publicitárias.

Segundo a investigação, muitos dos aparelhos chegam ao consumidor com aplicativos maliciosos pré-instalados. Quando conectados à televisão por um cabo HDMI, eles podem atuar como proxies residenciais, permitindo que terceiros utilizem a conexão de internet da vítima para mascarar outras atividades ilícitas. Quando o cabo é desconectado, os equipamentos entram em um modo automatizado de fraude, navegando por milhares de páginas geradas por inteligência artificial e clicando em anúncios de forma semelhante ao comportamento humano.

Para evitar a detecção, os operadores utilizam uma combinação de visão computacional, reconhecimento óptico de caracteres (OCR) e recursos de acessibilidade do Android. O sistema identifica elementos na tela e interage com anúncios de maneira automatizada, tornando a fraude mais difícil de ser identificada pelas plataformas de publicidade.

Outro diferencial da operação é o uso do Blockly, linguagem de programação visual criada pelo Google para fins educacionais. Os criminosos adaptaram a ferramenta para permitir que operadores criassem campanhas de fraude por meio de blocos gráficos, que posteriormente eram convertidos automaticamente em código JavaScript distribuído aos dispositivos infectados.

A Bitsight estima que uma rede com dezenas de milhares de TV Boxes comprometidas seja capaz de movimentar dezenas de milhões de dólares por ano em receitas fraudulentas. A infraestrutura financeira utilizava contas cadastradas em redes de publicidade digital e empresas de fachada para receber os pagamentos obtidos com os cliques falsos. A investigação atribuiu a operação à empresa chinesa Zhejiang Fengwo IoT Technology Co., Ltd., responsável pelo desenvolvimento da infraestrutura utilizada no esquema.

Especialistas alertam que o caso demonstra a evolução dos ataques à cadeia de suprimentos de dispositivos eletrônicos. Além de causar prejuízos ao mercado de publicidade digital, equipamentos comprometidos podem ser utilizados para ocultar atividades criminosas e integrar grandes redes de bots. A recomendação é adquirir apenas dispositivos certificados, manter o firmware atualizado e evitar equipamentos de origem desconhecida ou com softwares modificados de fábrica.

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