
O CEO da Amazon Web Services (AWS), Matt Garman, afirmou que substituir profissionais em início de carreira por ferramentas de inteligência artificial representa um erro estratégico que pode comprometer o futuro das empresas. O executivo criticou a ideia de interromper contratações de jovens talentos em razão dos avanços da IA e defendeu que a formação de novos profissionais continua sendo essencial para a sustentabilidade dos negócios.
Em entrevista à revista Wired e posteriormente ao podcast Platformer, Garman classificou a estratégia de eliminar cargos de entrada como “uma das coisas mais estúpidas” que já ouviu no debate sobre inteligência artificial e mercado de trabalho. Segundo ele, empresas que deixam de desenvolver profissionais iniciantes acabam enfraquecendo sua própria capacidade de inovação.
O executivo argumenta que profissionais em início de carreira costumam trazer conhecimentos atualizados sobre novas tecnologias, além de representarem a base para a formação de futuros líderes, especialistas e gestores. Para Garman, muitas das melhores ideias surgem justamente entre funcionários que estão começando suas trajetórias profissionais.
A posição da AWS contrasta com declarações recentes de outros líderes do setor de tecnologia. Executivos de empresas de inteligência artificial já alertaram para possíveis impactos significativos da automação sobre empregos de entrada, especialmente em áreas administrativas e de tecnologia.
Garman defende que a inteligência artificial deverá transformar funções e atividades, mas não eliminar a necessidade de formar novos profissionais. Segundo ele, uma empresa precisa pensar no longo prazo e manter um fluxo contínuo de talentos para garantir crescimento sustentável.
A Amazon pretende contratar cerca de 11 mil estagiários e recém-formados em 2026, mesmo diante da expansão das ferramentas de IA. O executivo afirmou que a empresa possui atualmente mais desenvolvedores de software do que há dois anos, apesar da crescente adoção de assistentes de programação baseados em inteligência artificial.
O debate ocorre em meio às transformações provocadas pela IA no mercado de trabalho. Pesquisas recentes indicam que a tecnologia está alterando tarefas, fluxos de trabalho e funções profissionais, especialmente em áreas ligadas ao desenvolvimento de software e atividades administrativas.
Especialistas apontam que a automação tende a eliminar tarefas repetitivas, mas também cria novas demandas por supervisão, gestão, integração de sistemas e habilidades relacionadas à colaboração entre humanos e inteligência artificial.
Embora a Amazon tenha realizado cortes de funcionários nos últimos anos, a empresa afirma que as demissões estiveram ligadas a reestruturações internas e ganhos de eficiência, e não exclusivamente à inteligência artificial. Ao mesmo tempo, memorandos internos indicam que a IA deverá aumentar a produtividade das equipes e modificar a estrutura de algumas funções corporativas.
Para Matt Garman, o cenário atual se assemelha a outras transformações tecnológicas do passado, como a popularização das planilhas eletrônicas e da internet. Segundo ele, a inteligência artificial deve mudar a natureza do trabalho, mas não eliminar a necessidade de desenvolver novos profissionais, principalmente aqueles que ingressam no mercado de trabalho.



