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Custos de componentes dão trégua, mas permanecem elevados, aponta Abinee

Levantamento mostra redução na pressão sobre matérias-primas, mas memórias, metais e plásticos continuam impactando a indústria eletroeletrônica.

A pressão sobre os custos de componentes e matérias-primas da indústria eletroeletrônica apresentou uma desaceleração em maio, mas continua em patamares considerados elevados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O levantamento divulgado pela entidade mostra que 57% das empresas ainda registram aumento nos custos dos insumos, contra 72% na pesquisa anterior.

Embora a redução de 15 pontos percentuais represente a primeira trégua após cinco meses consecutivos de alta, a entidade avalia que o cenário ainda preocupa o setor. Os custos permanecem acima dos níveis observados nos últimos anos e seguem afetando a produção industrial.

Entre os itens que continuam pressionando os fabricantes estão memórias, plásticos, polímeros, PVC, resinas, derivados de petróleo e metais como cobre. A demanda global por componentes utilizados em aplicações de inteligência artificial e data centers permanece como um dos principais fatores de pressão sobre a cadeia de suprimentos.

O impacto já chegou aos preços finais dos produtos. Segundo a pesquisa, 62% das empresas afirmaram ter repassado parte dos aumentos aos clientes. Entre elas, a maioria realizou reajustes de até 10% em relação aos preços praticados no final de 2025.

As memórias eletrônicas continuam sendo um dos componentes mais afetados. A Abinee já havia alertado anteriormente que a forte expansão dos data centers de inteligência artificial e a crescente demanda global por semicondutores vêm pressionando os preços internacionais desses insumos.

Além do custo, parte das empresas ainda enfrenta dificuldades na obtenção de componentes. Em maio, 27% das indústrias relataram problemas de abastecimento, índice inferior aos 31% registrados em abril, mas ainda bastante superior aos níveis observados no fim de 2025.

Apesar dos desafios, a pesquisa aponta sinais de recuperação na atividade do setor. Mais da metade das empresas informou crescimento das vendas em comparação com o mesmo período do ano anterior, e 61% das companhias ainda projetam aumento das vendas ao longo de 2026.

As exportações, porém, perderam dinamismo, e problemas logísticos continuam afetando parte das empresas. Dificuldades no transporte marítimo e atrasos em importações seguem sendo apontados como obstáculos para a cadeia produtiva.

A Abinee avalia que a desaceleração dos custos representa um sinal positivo, mas ressalta que o setor ainda enfrenta um ambiente de elevada volatilidade nos preços internacionais e incertezas nas cadeias globais de suprimentos. O comportamento dos insumos ao longo dos próximos meses continuará sendo um fator decisivo para a indústria eletroeletrônica brasileira.

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