
A Apple enfrenta um dos maiores processos coletivos de sua história no Reino Unido após o Tribunal de Apelação da Concorrência autorizar o avanço de uma ação que acusa a empresa de abusar de sua posição dominante no mercado de armazenamento em nuvem por meio do iCloud. A indenização pode chegar a £ 3 bilhões (cerca de US$ 4 bilhões).
A ação foi apresentada pela organização de defesa do consumidor Which?, que alega que a Apple criou barreiras técnicas e limitações em seus dispositivos que dificultam o uso de serviços concorrentes de armazenamento em nuvem, como Google Drive, Dropbox e Microsoft OneDrive. Segundo os autores, isso teria levado milhões de usuários a utilizarem o iCloud e pagarem preços mais elevados pelos serviços de armazenamento.
O processo pode abranger aproximadamente 40 milhões de usuários britânicos que utilizaram o iCloud entre novembro de 2018 e junho de 2026. Caso a ação seja bem-sucedida, alguns consumidores poderão receber compensações individuais estimadas em até £ 77 por pessoa.
Os autores da ação afirmam que determinados arquivos essenciais para backup e restauração dos dispositivos da Apple só podem ser armazenados adequadamente no iCloud, o que colocaria concorrentes em desvantagem. A acusação sustenta que a empresa utilizou sua integração entre hardware, software e serviços para fortalecer sua posição no mercado de armazenamento em nuvem.
A Apple rejeita as alegações. A companhia afirma que o uso do iCloud é opcional e que os consumidores possuem diversas alternativas de armazenamento disponíveis no mercado. A empresa também declarou que discorda da decisão do tribunal e pretende contestar as acusações durante o processo.
O caso se insere em um cenário de maior escrutínio regulatório sobre as grandes empresas de tecnologia. Autoridades e órgãos de defesa da concorrência em diferentes países vêm investigando práticas relacionadas a ecossistemas fechados, integração de serviços e possíveis restrições à concorrência digital.
Especialistas em direito concorrencial apontam que o julgamento poderá estabelecer precedentes importantes para a forma como empresas de tecnologia integram serviços próprios a seus dispositivos e plataformas. O debate envolve questões como interoperabilidade, liberdade de escolha do consumidor e poder de mercado das grandes plataformas digitais.
O tribunal britânico autorizou o prosseguimento da ação coletiva, mas ainda não analisou o mérito das acusações. O julgamento principal está previsto para ocorrer nos próximos anos, com estimativas de que o caso chegue a julgamento em 2028.
A disputa representa mais um desafio regulatório para a Apple em mercados internacionais e reforça a crescente pressão sobre as grandes empresas de tecnologia em relação à concorrência, ao uso de ecossistemas fechados e à oferta de serviços digitais integrados.



