
Os Estados Unidos intensificaram a promoção de tecnologias nucleares na América Latina como alternativa para enfrentar os futuros gargalos energéticos da região. A iniciativa ganhou força após uma missão organizada pela U.S. Trade and Development Agency (USTDA), que reuniu representantes de diversos países latino-americanos para discutir a adoção de pequenos reatores modulares e outras soluções nucleares.
Participaram da missão autoridades da Colômbia, Equador, El Salvador, Jamaica e Paraguai. Durante a visita aos Estados Unidos, as delegações se reuniram com empresas, reguladores e instituições de pesquisa para discutir modelos de financiamento, marcos regulatórios e estratégias de implantação de programas nucleares civis.
O avanço da inteligência artificial, da digitalização da economia e da expansão dos data centers está entre os principais fatores que impulsionam o debate. Grandes centros de processamento exigem fornecimento contínuo de energia, alta disponibilidade e estabilidade elétrica, características que colocam a geração nuclear novamente no centro das discussões energéticas.
No Paraguai, por exemplo, autoridades demonstraram preocupação com a futura demanda energética dos data centers que o país pretende atrair. Estimativas apontam que o consumo dessas instalações poderá superar a capacidade atualmente disponível já na próxima década.
A Colômbia apresentou um dos projetos mais avançados entre os participantes. O planejamento energético do país prevê a incorporação de aproximadamente 300 MW de geração nuclear a partir de 2038, acompanhando o crescimento da demanda nacional por eletricidade. O governo colombiano também trabalha em programas de capacitação, cooperação internacional e desenvolvimento regulatório.
Os chamados SMRs (Small Modular Reactors) surgem como uma das principais apostas do setor. Esses pequenos reatores modulares prometem custos menores, construção mais rápida e maior flexibilidade de instalação em comparação às usinas nucleares tradicionais. Os Estados Unidos vêm incentivando fortemente essa tecnologia como parte de sua estratégia energética.
O interesse pelo modelo também cresce entre as grandes empresas de tecnologia. Gigantes como Amazon, Google, Microsoft e Meta vêm assinando acordos relacionados à geração nuclear para sustentar a expansão de seus data centers e projetos de inteligência artificial. A busca por energia estável tornou-se um dos principais desafios da indústria.
No Brasil, especialistas do setor apontam que a disponibilidade de energia será um fator decisivo para a atração de novos investimentos em data centers. O crescimento da infraestrutura de IA pode elevar significativamente a demanda elétrica, aumentando o interesse por fontes de geração firme e de alta confiabilidade.
Embora o país já possua experiência no setor nuclear, especialistas destacam que projetos de novos reatores ainda enfrentam desafios relacionados a custos, licenciamento e prazos de implantação. Os pequenos reatores modulares, porém, aparecem como uma alternativa promissora para atender futuras demandas industriais e digitais.
A iniciativa norte-americana demonstra como energia e tecnologia estão cada vez mais conectadas. À medida que a inteligência artificial e os data centers ampliam seu consumo elétrico, a segurança energética passa a ser tratada como um fator estratégico para a competitividade digital e o desenvolvimento econômico da América Latina.



