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União Europeia e Brasil aprofundam parceria tecnológica para reduzir dependência dos EUA

Novo acordo digital entre União Europeia e Brasil prevê cooperação em cibersegurança, conectividade, dados e inteligência artificial, enquanto o bloco europeu busca fortalecer sua soberania tecnológica.

A União Europeia (UE) e o Brasil anunciaram o aprofundamento de sua cooperação tecnológica por meio de uma nova parceria digital estratégica. A iniciativa faz parte dos esforços europeus para reduzir a dependência de tecnologias e serviços controlados por empresas norte-americanas, especialmente nos setores de computação em nuvem, inteligência artificial, conectividade e cibersegurança.

O acordo foi confirmado pela vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, durante o Web Summit Rio. Segundo a autoridade europeia, a parceria tem como objetivo ampliar oportunidades de negócios, inovação e desenvolvimento tecnológico entre os dois lados do Atlântico.

A cooperação abrangerá áreas consideradas estratégicas para a transformação digital, incluindo compartilhamento de dados, infraestrutura de conectividade, proteção de menores no ambiente digital, segurança cibernética e desenvolvimento de tecnologias emergentes. Com a assinatura do acordo, o Brasil passa a integrar um grupo seleto de parceiros digitais da UE, ao lado de países como Canadá, Japão, Coreia do Sul e Singapura.

O movimento ocorre em meio à crescente preocupação europeia com a concentração do mercado tecnológico global. Atualmente, gigantes norte-americanas como Amazon, Google e Microsoft dominam grande parte da infraestrutura de nuvem utilizada no continente europeu. Segundo autoridades da UE, essa dependência representa riscos econômicos, estratégicos e até geopolíticos.

Nas últimas semanas, a Comissão Europeia lançou um amplo pacote de soberania tecnológica voltado ao fortalecimento de setores considerados essenciais, como semicondutores, inteligência artificial, computação em nuvem e software de código aberto. Entre as medidas estão o Chips Act 2.0 e o Cloud and AI Development Act, iniciativas que pretendem ampliar a capacidade tecnológica do bloco e reduzir sua vulnerabilidade a fornecedores externos.

A aproximação com o Brasil também ganha relevância após a formalização do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que criou uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Para Bruxelas, a parceria tecnológica complementa a integração econômica e fortalece relações com países considerados alinhados a valores como mercados abertos, inovação responsável e segurança digital.

Além dos aspectos econômicos, a iniciativa possui forte componente estratégico. Autoridades europeias defendem a criação de alternativas capazes de reduzir o chamado risco do “kill switch”, expressão utilizada para descrever a possibilidade de interrupção de serviços digitais críticos controlados por fornecedores estrangeiros. O tema tem impulsionado debates sobre soberania digital em diversas regiões do mundo.

Para o Brasil, a parceria pode abrir novas oportunidades de cooperação em pesquisa, desenvolvimento tecnológico, infraestrutura digital e inteligência artificial, além de ampliar o acesso a projetos conjuntos financiados por programas europeus de inovação. A expectativa é que a colaboração fortaleça a posição brasileira em temas estratégicos da economia digital e da transformação tecnológica global.

O acordo reforça uma tendência crescente de reorganização das cadeias tecnológicas globais, em que países e blocos econômicos buscam reduzir dependências externas e aumentar sua autonomia em áreas consideradas críticas para o futuro da economia digital.

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