
Há investimentos que não aparecem no balanço, mas influenciam diretamente a qualidade das decisões de uma empresa. Conhecimento, repertório, capacidade de estabelecer conexões e disposição para questionar certezas estão entre eles. A atividade de um conselheiro de administração ou consultivo exige exatamente esse tipo de capital.
Não basta conhecer o negócio. É preciso compreender as mudanças do ambiente empresarial, acompanhar a evolução das práticas de governança e buscar referências além do próprio setor de atuação. O conselheiro agrega valor quando amplia perspectivas e ajuda a transformar informação em melhores decisões.
É com esse propósito que participei, há alguns dias, do Congresso do IBGC, em São Paulo, e, no início de novembro, estarei, na Jornada Técnica do Instituto ao Japão. Será minha sexta jornada internacional de estudos, depois de experiências em centros de inovação, universidades e organizações na América do Norte, Europa, Oriente Médio e Ásia. Mais do que visitas técnicas, esses programas proporcionam contato com diferentes modelos de gestão, governança e estratégia.
O aprendizado obtido nessas experiências encontra aplicação prática na atuação que desenvolvo por meio da F&F Governança Corporativa. Nos últimos anos, tenho apoiado empresas e organizações do terceiro setor na implantação de conselhos consultivos e em processos de planejamento estratégico, utilizando metodologia própria. O valor dessas jornadas não está apenas no conhecimento adquirido, mas na capacidade de traduzir referências globais para realidades locais.
Uma prática observada no Japão pode inspirar reflexões em uma empresa familiar do interior do Rio Grande do Sul. Uma discussão sobre sucessão acompanhada em uma universidade internacional pode contribuir para desafios de governança em negócios brasileiros. Uma abordagem de alocação de capital adotada por grandes corporações pode oferecer novos ângulos para decisões de investimento em empresas de médio porte.
O papel do conselheiro é justamente construir essas conexões.
Por isso, a preparação para a Jornada ao Japão já começou. Nas próximas semanas, esta coluna abordará aspectos da governança, da cultura empresarial e das transformações que marcaram aquele país. Em novembro, levarei perguntas. Na volta, espero trazer novas referências. Afinal, conhecimento não é patrimônio estático. É capital que precisa ser permanentemente investido e colocado a serviço das decisões.
Fernando Röhsig – Conselheiro de Administração (CCA – IBGC).



