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O Brasil vai ficar só olhando o duelo EUA-China?

Por Fernando Röhsig

A geopolítica global atravessa um dos momentos mais tensos desde a Guerra Fria comercial dos anos 1980. Donald Trump acelera a repatriação industrial e eleva tarifas que respingam nas exportações brasileiras – aço, suco de laranja, etanol. A China, por sua vez, aprendeu a lição americana: em vez de apenas produzir, corre atrás de mercados consumidores e parcerias estratégicas mundo afora.

No centro dessa disputa está o “gráfico do sorriso” – a curva que mostra onde de fato se cria valor numa cadeia global: nas pontas, em P&D, design, marca e serviços, não no chão de fábrica. É a lógica que sustenta tanto o reshoring americano quanto a ofensiva chinesa por presença global. E é a lógica que o Brasil, historicamente instalado no meio da curva, precisa decifrar com urgência.

Para as empresas brasileiras, isso significa um redesenho urgente da governança corporativa. Não basta gerenciar riscos locais; é preciso navegar com precisão cirúrgica em meio ao fogo cruzado das superpotências – antecipando impactos regulatórios, blindando o compliance contra choques protecionistas e construindo cadeias de suprimento resilientes, com fornecedores diversificados e cláusulas contratuais que absorvam sobressaltos tarifários.

A crise, porém, também abre janelas. O apetite chinês por parcerias locais em baterias e transição energética é uma delas – setores em que o Brasil tem ativos reais: minerais críticos, energia limpa, escala de mercado. A pergunta é se essas oportunidades serão capturadas com estratégia ou desperdiçadas por falta de governança.

Porque é a governança corporativa – não a sorte nem a diplomacia de ocasião – que oferece a segurança jurídica capaz de atrair e sustentar esses negócios.

Combinar valor, inovação e conformidade é o único caminho para o país deixar de ser espectador de um jogo que os outros desenham e passar a jogar, com peças próprias, no tabuleiro global.

Fernando Röhsig – Conselheiro de Administração (CCA – IBGC).

Fernando Rohsig

Conselheiro Independente para Conselho de Administração, Consultivo, Fiscal e de Família. Mestre em Controladoria pela Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS. Especializações em “Managing a Global Business” pela HEC (Paris/França) e Gestão Empresarial, Recursos Humanos, Gestão da Qualidade, Custos e Produção, todos pela UFRGS. Também é pós-graduado em Gestão da Qualidade pela Unisinos. Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS. Certificado como Conselheiro de Administração pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Realizou cursos complementares pela FIERGS na Stanford School of Business, pela Fundação Dom Cabral na Kellogg School Of Management (Northwestern – Chicago/EUA), Tsinghua University (Beijing/China), Cambridge Univesity (Climate Governance Initiative) e Role of the Chair e Leadership Essentials for Navigating Complexity – IoD Institute of Directors (Londres/Inglaterra) e Univesrity of Pennsylvania - Wharton School – Ai Leadership Program (Pensilvânia/EUA). Professor de Graduação, Pós-Graduação e In Company na UFRGS, ESPM, La Salle, Sicredi, Unicred, Sicoob e Univates. Trabalhos voluntários em diversas entidades, com destaque para Junior Achievement (RS) e IBGC Capítulo Sul. Integrante de grupos do IBGC em Jornadas Técnicas ao Vale do Silício em Ago/18, Israel em Mai/19, Inglaterra em Set/23, China em Out/Nov/24, EUA em Set/25 e Japão em Nov/26. Atuação como executivo por mais de trinta anos em Finanças e Operações. Proprietário da F&F_Allegra_Consultoria. Trabalhos desenvolvidos em nível de conselho e direção para empresas de atuação em cooperativas de crédito, médicos, de infraestrutura de energia renovável (geração e distribuição), empresas de comunicação, telecom, design, varejo (moda), bancos / fintechs, franquias, indústrias de alimentos, metal mecânica, química, explosivos, mineração, equipamentos pesados, odontológicos e de estética, construção civil e de infraestrutura pesada, entre outras.

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