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China rompe barreira dos 10% no mercado global de DRAM e CXMT estreia LPDDR6 em produção comercial

Fabricante chinesa quadruplicou sua participação global em pouco mais de um ano, registrou alta de 874% na receita do primeiro semestre e colocou sua memória LPDDR6 no Xiaomi 18 Fold. Avanço aproxima a China de Samsung, SK Hynix e Micron em um setor estratégico para smartphones, servidores e inteligência artificial.

A China acaba de atingir um marco importante em sua tentativa de reduzir a dependência estrangeira no mercado de semicondutores.

A ChangXin Memory Technologies (CXMT) alcançou 10% da receita mundial de memórias DRAM no segundo trimestre de 2026, segundo dados atualizados da Counterpoint Research.

Um ano antes, a fabricante chinesa possuía apenas 4%.

No primeiro trimestre deste ano, já havia avançado para 8%.

Agora chegou aos dois dígitos pela primeira vez.

O resultado consolida a CXMT como a quarta maior fabricante mundial de DRAM, atrás apenas das três gigantes que historicamente dominam esse mercado: Samsung Electronics, SK Hynix e Micron.

E a expansão não está acontecendo apenas em participação de mercado.

No primeiro semestre de 2026, a receita da companhia disparou 873,64%, chegando a aproximadamente 150,3 bilhões de yuans, equivalentes a cerca de US$ 22,4 bilhões.

Ao mesmo tempo, a empresa acaba de colocar em produção comercial sua primeira geração de LPDDR6, tecnologia de memória destinada à próxima geração de smartphones, computadores, veículos inteligentes, dispositivos de borda e aplicações de inteligência artificial.

Os 10% são participação por receita

Existe uma precisão importante na informação que circula nas redes.

Os 10% divulgados pela Counterpoint correspondem à participação da CXMT na receita mundial de DRAM durante o segundo trimestre de 2026.

Isso não significa necessariamente que exatamente 10% de todos os chips DRAM fabricados ou vendidos no planeta tenham sido produzidos pela empresa.

Outras consultorias utilizam metodologias diferentes.

A TrendForce, por exemplo, calculou participação de aproximadamente 9,5% da receita global de DRAM para a CXMT no mesmo trimestre.

Apesar da pequena diferença metodológica, as duas estimativas mostram a mesma tendência: a fabricante chinesa entrou definitivamente no grupo dos grandes fornecedores mundiais.

Samsung ainda domina o mercado

A distância para a liderança continua significativa.

Pelos números da Counterpoint, a Samsung terminou o segundo trimestre com aproximadamente 38% do mercado mundial de DRAM.

A SK Hynix ficou com 25%.

A Micron, com 24%.

A CXMT apareceu em seguida, com 10%.

As demais fabricantes somaram uma parcela muito pequena do mercado.

Mas existe uma transformação acontecendo nessa distribuição.

Três gigantes perderam participação conjunta

Samsung, SK Hynix e Micron concentravam aproximadamente 94% do mercado um ano atrás.

Agora, juntas, possuem cerca de 87%.

Grande parte desse espaço foi ocupada justamente pela CXMT.

Em apenas um ano:

CXMT passou de 4% para 10%;

Samsung avançou de 33% para 38%;

Micron passou de 22% para 24%;

enquanto SK Hynix recuou de 39% para 25%.

O movimento da SK Hynix possui uma explicação importante.

IA está reorganizando a indústria de memória

As fabricantes tradicionais estão direcionando cada vez mais capacidade e investimentos para HBM — High Bandwidth Memory.

Esse tipo de memória é essencial para aceleradores utilizados em inteligência artificial.

GPUs e outros chips de IA precisam movimentar enormes quantidades de dados rapidamente.

É aí que entra a HBM.

Ela utiliza chips de memória empilhados verticalmente e interfaces extremamente largas para fornecer largura de banda muito superior à DRAM convencional.

O crescimento explosivo dos data centers de IA tornou HBM um dos produtos mais disputados — e lucrativos — da indústria.

Espaço apareceu na DRAM convencional

Ao direcionarem mais recursos para HBM e tecnologias avançadas, fabricantes como SK Hynix e Samsung abriram espaço em determinadas categorias de DRAM convencional.

A CXMT aproveitou essa oportunidade.

Mas seria incorreto atribuir todo o avanço da empresa apenas à retirada parcial das concorrentes.

A fabricante chinesa também aumentou capacidade produtiva, melhorou rendimento de fabricação e avançou tecnologicamente com produtos como DDR5 e LPDDR5.

Agora está entrando em LPDDR6.

Receita cresceu quase dez vezes

Os números financeiros ajudam a mostrar a velocidade dessa transformação.

No primeiro semestre de 2026, a CXMT registrou receita de 150,3 bilhões de yuans.

Na comparação com o mesmo período de 2025, o avanço foi de 873,64%.

Arredondando, trata-se de uma alta próxima de 874% — e não simplesmente 870%, como aparece em algumas publicações.

A companhia também passou de prejuízo para lucro.

Lucro chegou a 77,6 bilhões de yuans

A CXMT registrou aproximadamente 77,6 bilhões de yuans em lucro líquido atribuível aos acionistas no primeiro semestre.

Um ano antes, havia apresentado prejuízo de aproximadamente 2,3 bilhões de yuans.

É uma virada extremamente relevante para uma fabricante de memórias.

Esse setor exige investimentos gigantescos em fábricas e equipamentos.

Ao mesmo tempo, os preços das memórias são altamente cíclicos.

Quando existe excesso de oferta, as margens podem despencar rapidamente.

Falta de memória ajudou a companhia

O momento atual é bastante diferente.

A demanda por infraestrutura de inteligência artificial elevou fortemente o consumo de memória.

Data centers precisam de DRAM convencional.

Servidores precisam de DDR5.

Aceleradores precisam de HBM.

Smartphones continuam consumindo LPDDR.

Computadores também demandam memória.

A combinação criou um mercado muito mais favorável aos fabricantes.

A própria CXMT espera que a oferta mundial de DRAM continue apertada durante o segundo semestre.

Mercado mundial de DRAM explodiu

A expansão não aconteceu apenas dentro da empresa chinesa.

Segundo a Counterpoint, a receita global do mercado de DRAM cresceu 57% somente entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026.

Na comparação anual, a expansão chegou a 385%.

Portanto, parte do salto financeiro da CXMT está relacionada ao crescimento extraordinário do mercado como um todo.

Mas a empresa conseguiu fazer algo adicional: cresceu sua participação dentro de um mercado que já estava crescendo rapidamente.

DDR5 virou produto fundamental

Outro componente dessa transformação é a DDR5.

A categoria respondeu por aproximadamente 46% da receita do principal negócio da CXMT no primeiro semestre.

Em 2025, essa participação estava próxima de 32%.

A mudança mostra que a companhia não está crescendo apenas aumentando a produção de tecnologias antigas.

Seu portfólio está migrando para gerações mais recentes.

LPDDR6 representa um marco ainda maior

É justamente por isso que o anúncio mais recente da CXMT chamou tanta atenção.

A empresa confirmou a entrada em produção em massa de LPDDR6.

LPDDR significa Low Power Double Data Rate.

É uma categoria de DRAM desenvolvida para entregar alta velocidade consumindo menos energia.

Smartphones são um dos principais mercados.

Mas a tecnologia também pode aparecer em computadores, dispositivos vestíveis, veículos inteligentes, servidores de borda e robótica.

Xiaomi 18 Fold estreia tecnologia

A primeira implantação comercial anunciada pela CXMT acontece no Xiaomi 18 Fold.

O smartphone dobrável é o primeiro produto confirmado utilizando a LPDDR6 da companhia.

O chip possui 16 GB de capacidade e utiliza dies individuais de 16 Gb.

A memória segue o padrão LPDDR6 estabelecido pela JEDEC.

A taxa máxima anunciada chega a 12.800 Mbps.

Quando operando com o SoC utilizado no aparelho, a velocidade informada é de 10.667 Mbps.

CXMT fala em 60% mais largura de banda

Segundo testes internos divulgados pela própria fabricante, sua implementação LPDDR6 pode oferecer até 60% mais largura de banda de pico em comparação com uma LPDDR5X operando a 10.667 Mbps.

A companhia também afirma redução de aproximadamente 20% no consumo energético em relação à geração anterior.

Esses números são fornecidos pela própria CXMT e ainda precisam ser interpretados considerando configurações específicas e testes independentes.

Mesmo assim, demonstram a ambição tecnológica do produto.

Menor consumo é tão importante quanto velocidade

Em smartphones, aumentar desempenho sem controlar consumo cria outro problema.

Bateria.

Quanto mais energia a memória utiliza, menor pode ser a autonomia do aparelho.

Também aumenta a quantidade de calor que precisa ser dissipada.

Por isso, novas gerações de LPDDR procuram equilibrar três objetivos:

velocidade;

eficiência energética;

e confiabilidade.

Esse equilíbrio também se torna importante para aplicações de inteligência artificial executadas diretamente no dispositivo.

IA está chegando aos smartphones

Modelos generativos menores começam a rodar localmente.

Processamento de imagens.

Tradução.

Assistentes.

Reconhecimento de voz.

Geração de texto.

Recursos multimodais.

Quanto mais processamento acontece no próprio aparelho, maior é a necessidade de movimentar dados rapidamente entre processador, aceleradores e memória.

LPDDR6 foi desenvolvida justamente para essa nova geração de cargas.

CXMT entrou na nova geração praticamente junto das líderes

Talvez esse seja o aspecto mais estratégico do anúncio.

Historicamente, fabricantes chinesas chegavam a determinadas gerações de memória depois das líderes sul-coreanas e norte-americanas.

Com LPDDR6, a diferença diminuiu drasticamente.

A CXMT está participando da fase inicial de comercialização do novo padrão, em vez de simplesmente introduzir uma tecnologia anos depois.

Isso representa um avanço importante para a indústria chinesa.

Mas isso ainda não significa paridade tecnológica

Existe uma diferença fundamental entre lançar um produto e dominar um mercado.

A CXMT confirmou inicialmente a LPDDR6 em um smartphone específico.

Para demonstrar competitividade global, precisará:

conseguir novos clientes;

produzir grandes volumes;

manter rendimento elevado nas fábricas;

entregar consistência;

reduzir defeitos;

controlar custos;

e sustentar a produção ao longo do tempo.

Samsung, SK Hynix e Micron possuem décadas de experiência e enorme escala.

Portanto, a distância diminuiu, mas não desapareceu.

Próxima batalha é HBM

Existe ainda uma categoria muito mais estratégica para a inteligência artificial.

HBM.

Esse é atualmente um dos pontos fortes da SK Hynix, Samsung e Micron.

A CXMT também está avançando nessa direção.

Informações do mercado indicam que a empresa já trabalha com HBM3E em escala inicial, com chips sendo avaliados por empresas chinesas ligadas a processadores de inteligência artificial.

Mas o desafio tecnológico é muito maior.

HBM é muito mais difícil de fabricar

HBM exige empilhamento de múltiplas camadas de memória.

Interconexões extremamente densas.

Empacotamento avançado.

Controle térmico.

Altíssimo rendimento.

Integração próxima com GPUs e aceleradores.

Não basta fabricar bons chips DRAM individualmente.

É necessário transformar dezenas de componentes em um sistema extremamente complexo e confiável.

Por isso, liderança em DRAM convencional não garante liderança em HBM.

China quer reduzir dependência de memória estrangeira

A expansão da CXMT também precisa ser compreendida dentro da estratégia industrial chinesa.

Semicondutores são tratados como tecnologia estratégica.

Durante anos, empresas chinesas dependeram fortemente de fornecedores estrangeiros para:

processadores;

memória;

equipamentos de fabricação;

software de projeto;

e máquinas avançadas de litografia.

As restrições impostas pelos Estados Unidos aceleraram investimentos internos.

A memória é uma das áreas nas quais a China conseguiu avançar mais rapidamente.

CXMT representa DRAM; YMTC avança em NAND

A estratégia chinesa possui duas empresas especialmente importantes.

A CXMT está avançando em DRAM.

A Yangtze Memory Technologies, YMTC, cresce em NAND Flash.

NAND é utilizada principalmente para armazenamento permanente.

SSDs.

Smartphones.

Data centers.

Enquanto DRAM mantém temporariamente os dados utilizados pelo sistema durante a execução.

As duas empresas estão aumentando simultaneamente a participação chinesa nos principais segmentos de memória.

IPO deu bilhões para novas fábricas

Outro elemento fundamental para a próxima etapa é capital.

A CXMT realizou uma gigantesca abertura de capital em Xangai em julho.

A operação levantou aproximadamente US$ 8,6 bilhões.

Esse dinheiro poderá financiar expansão de capacidade, equipamentos e pesquisa.

Para semicondutores, essa disponibilidade de capital é decisiva.

Construir uma nova fábrica de memória pode custar bilhões de dólares.

Capacidade deverá continuar aumentando

A companhia trabalha na expansão de suas instalações em Hefei e Xangai.

Estimativas do mercado apontam para crescimento significativo da capacidade mensal de processamento de wafers nos próximos anos.

Quanto maior a escala, maior a possibilidade de conquistar participação global.

Mas existe um risco.

Memória é um mercado historicamente conhecido por ciclos de excesso de capacidade.

Se todos os fabricantes ampliarem produção simultaneamente, os preços podem cair.

China pode mudar equilíbrio de preços

Esse talvez seja um dos maiores efeitos globais da ascensão da CXMT.

Samsung, SK Hynix e Micron passaram décadas operando em um mercado altamente concentrado.

A entrada de um quarto concorrente com grande capacidade financeira e apoio de um enorme mercado doméstico pode alterar a dinâmica.

Mais oferta pode significar maior competição.

Maior competição pode pressionar preços.

Isso seria positivo para fabricantes de computadores, smartphones e servidores.

Mas potencialmente negativo para as margens dos produtores tradicionais.

Micron enfrenta desafio particular

Entre as três grandes fabricantes tradicionais, a Micron possui uma posição geopolítica especialmente delicada.

É norte-americana.

A China é um enorme mercado de eletrônicos.

E Pequim possui interesse estratégico em substituir componentes importados por fornecedores domésticos.

Quanto mais competitiva fica a CXMT, maior é a possibilidade de fabricantes chineses reduzirem dependência de DRAM norte-americana.

Restrições dos EUA continuam sendo obstáculo

Por outro lado, a própria CXMT enfrenta riscos geopolíticos.

A companhia reconhece que novas restrições comerciais podem afetar sua cadeia de suprimentos.

Fabricar semicondutores avançados depende de uma rede internacional extremamente complexa.

Equipamentos.

Software.

Materiais.

Propriedade intelectual.

Químicos.

Máquinas.

Metrologia.

Nenhum grande fabricante opera completamente isolado.

CXMT contesta inclusão em lista do Pentágono

A companhia também entrou em uma disputa jurídica nos Estados Unidos.

A CXMT contestou judicialmente sua inclusão em uma lista do Departamento de Defesa norte-americano relacionada a empresas que Washington considera vinculadas ao setor militar chinês.

A empresa rejeita essa classificação.

Esse tipo de disputa mostra como semicondutores deixaram de ser apenas uma questão empresarial.

Eles se tornaram parte central da competição estratégica entre Estados Unidos e China.

10% pode ser apenas o começo

O mercado já trabalha com cenários de crescimento adicional.

Estimativas de analistas indicam que a CXMT pode continuar ampliando significativamente sua participação até 2028 se conseguir executar seus planos de expansão.

Mas projeções precisam ser tratadas como projeções.

Produção de semicondutores é extremamente difícil.

Uma nova geração pode enfrentar problemas de rendimento.

Equipamentos podem ser restringidos.

Preços podem despencar.

Clientes podem mudar de estratégia.

O caminho não é linear.

O marco tecnológico é mais importante que o número isolado

Chegar a 10% do mercado mundial é relevante.

Crescer a receita em 874% também.

Mas talvez o indicador mais importante seja outro:

a CXMT conseguiu entrar na comercialização de LPDDR6 praticamente no início da nova geração tecnológica.

Isso sugere que a China está reduzindo o atraso em uma das categorias fundamentais da indústria de semicondutores.

A guerra dos chips agora também é uma guerra pela memória

Durante grande parte da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, a atenção ficou concentrada em GPUs e processadores.

Nvidia.

Huawei.

SMIC.

TSMC.

Litografia.

Mas inteligência artificial depende de muito mais que processamento.

Sem memória suficiente, uma GPU extremamente poderosa fica limitada.

É por isso que HBM virou um dos componentes mais valiosos da infraestrutura de IA.

E é por isso que a ascensão da CXMT possui implicações que vão muito além dos smartphones.

A China está construindo um fornecedor doméstico capaz de disputar um mercado historicamente controlado por Coreia do Sul e Estados Unidos.

Ainda existe distância tecnológica em segmentos como HBM de ponta e fabricação em grande escala das tecnologias mais avançadas.

Mas os números mostram que a distância está diminuindo.

A CXMT saiu de 4% para 10% do mercado global de DRAM em apenas um ano, multiplicou sua receita quase dez vezes e agora entrou na geração LPDDR6. A batalha mundial pela memória deixou definitivamente de ter apenas três grandes protagonistas.

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