
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deu mais um passo para viabilizar a tecnologia Direct-to-Device (D2D) no Brasil. O Conselho Diretor aprovou a abertura de uma consulta pública para discutir a regulamentação do serviço, que permitirá a conexão direta entre satélites de baixa órbita e smartphones compatíveis, sem a necessidade de antenas terrestres ou equipamentos extras.
A iniciativa busca estabelecer regras para a oferta dessa modalidade de comunicação no país, acompanhando um movimento global liderado por empresas de telecomunicações e operadoras de satélites.
Tecnologia amplia cobertura em áreas sem sinal
O Direct-to-Device permite que celulares se conectem diretamente a satélites quando não houver cobertura das redes móveis convencionais. A tecnologia é vista como uma alternativa para levar conectividade a regiões remotas, áreas rurais e locais afetados por desastres naturais, onde a infraestrutura terrestre é limitada ou inexistente.
Inicialmente, a expectativa é que os serviços sejam voltados para mensagens de texto e comunicações de emergência. Com a evolução das redes e dos dispositivos, a tendência é que chamadas de voz e acesso à internet também sejam disponibilizados.
Consulta pública vai definir regras
Segundo a Anatel, a consulta pública permitirá que empresas, especialistas e a sociedade contribuam para a construção do modelo regulatório da tecnologia no Brasil.
Entre os temas que serão discutidos estão o uso das faixas de radiofrequência, a convivência entre redes terrestres e satelitais, aspectos técnicos de operação e requisitos para autorização dos serviços.
A proposta também busca garantir segurança jurídica para investimentos e estimular a entrada de novos modelos de conectividade no mercado brasileiro.
Mercado já investe na tecnologia
O avanço da regulamentação acompanha iniciativas internacionais envolvendo fabricantes de smartphones, operadoras móveis e empresas de satélites.
Nos últimos anos, diferentes companhias anunciaram projetos para oferecer conectividade direta entre satélites e celulares, principalmente para ampliar a cobertura em regiões onde a infraestrutura tradicional de telecomunicações não chega.
A expectativa é que o Direct-to-Device se torne um complemento às redes móveis, aumentando a disponibilidade dos serviços de comunicação.
Próximos passos
Após o período de consulta pública, a Anatel analisará as contribuições recebidas antes de elaborar a versão final do regulamento.
Com a definição das regras, o Brasil poderá avançar na oferta comercial da tecnologia, criando um ambiente regulatório para que operadoras e empresas de satélites implementem serviços de conectividade direta em smartphones compatíveis. A medida representa um passo importante para ampliar a cobertura das telecomunicações e acelerar a inclusão digital em áreas ainda sem acesso às redes móveis convencionais.



