
AMD e Intel divulgaram novos detalhes sobre o ACE (AI Compute Extensions), conjunto de instruções desenvolvido em parceria para acelerar cargas de trabalho de inteligência artificial em processadores x86. A novidade representa um dos maiores esforços conjuntos entre as duas empresas nos últimos anos e pode mudar a forma como CPUs lidam com aplicações de IA.
O ACE foi desenvolvido dentro do x86 Ecosystem Advisory Group (EAG), iniciativa criada para padronizar recursos da arquitetura x86 e garantir maior compatibilidade entre futuras gerações de processadores das duas fabricantes.
A tecnologia foi projetada para acelerar operações de multiplicação de matrizes, consideradas fundamentais para aplicações de inteligência artificial, aprendizado de máquina e modelos generativos. Segundo a documentação técnica, o ACE trabalha em conjunto com o AVX10 e pode oferecer uma densidade computacional até 16 vezes superior em determinadas operações quando comparado às instruções vetoriais tradicionais.
Entre os formatos suportados estão INT8, BF16, FP8 e outros tipos de dados utilizados em modelos de IA, permitindo que futuras CPUs processem cargas de trabalho de inteligência artificial de maneira mais eficiente e com menor consumo energético.
Um dos principais objetivos do ACE é reduzir a dependência exclusiva das GPUs em determinadas tarefas de IA. Embora placas gráficas continuem sendo fundamentais para o treinamento de grandes modelos, muitas aplicações de inferência, assistentes locais e cargas de baixa latência podem ser executadas diretamente pelo processador.
A iniciativa também busca evitar a fragmentação do ecossistema x86. No passado, algumas extensões específicas acabaram sendo implementadas de forma diferente por cada fabricante, dificultando o trabalho dos desenvolvedores. Com o ACE, AMD e Intel pretendem oferecer um padrão comum para frameworks de inteligência artificial e bibliotecas de software.
Especialistas acreditam que a tecnologia poderá beneficiar plataformas que vão desde notebooks até servidores e data centers. A proposta é oferecer aceleração de IA em toda a cadeia de produtos x86, permitindo que aplicações utilizem os novos recursos sem a necessidade de adaptações específicas para cada fabricante.
O ACE também pode ganhar importância com a expansão dos PCs com IA e dos modelos executados localmente. Em cenários onde o uso de uma GPU dedicada não é viável ou onde a latência precisa ser reduzida, a capacidade de executar tarefas de inteligência artificial diretamente na CPU pode se tornar um diferencial importante.
Ainda não há confirmação oficial sobre quais gerações de processadores serão as primeiras a incorporar integralmente as novas extensões. Analistas apontam que futuras arquiteturas da AMD e da Intel devem receber suporte ao ACE nos próximos anos.
A colaboração entre as duas maiores fabricantes de processadores do mercado demonstra que a corrida pela inteligência artificial está redefinindo o futuro da arquitetura x86. Em vez de competir apenas em desempenho tradicional, AMD e Intel agora trabalham juntas para garantir que seus processadores continuem relevantes em uma era cada vez mais dominada pela IA.



