
A decisão da Casa Branca de restringir o acesso aos modelos avançados Mythos 5 e Fable 5, da Anthropic, teria sido motivada, ao menos em parte, pela suspeita de que um grupo ligado à China conseguiu acessar o sistema. A informação foi divulgada por fontes ouvidas pela imprensa norte-americana, embora o governo dos Estados Unidos não tenha confirmado oficialmente os detalhes do caso.
Segundo relatos, autoridades americanas passaram a tratar o episódio como uma questão de segurança nacional. O receio é que agentes estrangeiros possam utilizar técnicas de distilação de modelos para reproduzir ou extrair capacidades avançadas do Mythos, considerado um dos sistemas de IA mais poderosos já desenvolvidos pela Anthropic.
A controvérsia ganhou força após o governo dos EUA impor controles de exportação que restringem o acesso aos modelos por cidadãos estrangeiros. Diante das exigências regulatórias, a Anthropic optou por suspender temporariamente o acesso aos sistemas para todos os usuários, alegando dificuldades operacionais para aplicar as restrições seletivamente.
Além da suspeita de acesso chinês, autoridades americanas também demonstraram preocupação com uma possível vulnerabilidade de segurança no modelo Fable 5. Segundo integrantes do governo, uma técnica de jailbreak poderia contornar barreiras de segurança e acessar recursos avançados do Mythos.
O conselheiro da Casa Branca para IA, David Sacks, afirmou publicamente que o governo alertou a Anthropic sobre o problema e teria solicitado correções. De acordo com sua versão, a empresa considerou o risco limitado e não implementou mudanças imediatas, o que teria contribuído para a adoção das restrições.
A Anthropic, por sua vez, contestou parte das alegações. A empresa declarou que bloqueia o acesso aos seus serviços a partir da China e afirmou que autoridades americanas não mencionaram explicitamente o suposto acesso chinês durante as discussões sobre o caso. A companhia também classificou a vulnerabilidade como restrita e de baixo impacto.
O episódio evidencia como modelos avançados de inteligência artificial estão sendo tratados cada vez mais como ativos estratégicos comparáveis a semicondutores e tecnologias militares. Washington vem ampliando o uso de controles de exportação sobre IA, refletindo a crescente disputa tecnológica entre Estados Unidos e China.
Especialistas avaliam que o caso pode marcar um novo capítulo na governança global da inteligência artificial. Se confirmadas, as suspeitas de acesso indevido ao Mythos reforçam a preocupação de governos com o uso geopolítico de modelos avançados e podem acelerar a criação de regras mais rígidas para o desenvolvimento e a distribuição dessas tecnologias.



